|
Nunca fui de estudar
muito para fazer provas,
mesmo enquanto estava na escola. Meu segredo
era prestar atenção e ficar 100% concentrado no que o professor
explicava em sala de aula e me desligar de tudo demais que
acontecia ao meu redor. Eu realmente
dava trabalho para meus professores,
pois na hora que surgia as dúvidas eu os questionava
até entender o que estava sendo ensinado,
também sempre
procurei me manter bem informado, lia constantemente jornais e
revistas "instrutivas", procurava ver documentários e programas
educativos, escutar noticiários nas rádios, inclusive a Voz do
Brasil.
Comecei a
trabalhar com 18 anos (1985) no Banco
Bradesco, por necessidade
e com indicação de um amigo. Na época tinha
acabado de me casar e minha esposa estava grávida. Em
1987, tive minha primeira aprovação em concurso, foi para o
Banco de Brasília, também fui
aprovado para o DASP (antigo Departamento de
Administração do Servidor Público) em 1988, cujas funções foram assumidas pelo
Ministério do Planejamento, já tinha batido na trave por três
vezes. No BRB minha classificação foi
intermediária, mas devido aos famosos planos econômicos (Bresser I
e II, Collor), o processo de admissão de funcionários públicos
ficaram travados.No DASP, não pude
assumir devido a dificuldade econômica, pois o salário
inicial era menor do que eu ganhava no Bradesco, como estava
casado e já com uma filha de alguns meses e outro para nascer, minha esposa estava grávida novamente, era impossível pensar em
diminuir o já minguado salário, não se tratava de uma questão de
opção por uma carreira pública e sim de
sobrevivência. Como Deus é
grande e não desampara os Seus, fiz concurso para
CAIXA também no ano de 1988, esse era o meu
principal alvo de concurso.
Sempre
tive muita facilidade de raciocínio " lógico " e também
com a matemática. Lembro que a prova da CEF
(Caixa Econômica Federal) foi dividida em duas
partes, a primeira era composta de 90 questões de raciocínio
lógico que tinham que ser respondidas em 45 minutos já contando
o tempo para marcação do cartão. Já nessa fase da
prova eu sei que eliminei 90% dos meus concorrentes, pois
costumava fazer cálculos " de cabeça " e
por não precisar rascunhar no papel
tive vantagem com relação ao tempo que era
muito pouco, consegui fazer todas as questões, inclusive algumas
que tinha deixado para se sobrasse tempo no
final . A segunda parte era de
português, matemática e conhecimentos
bancários, como eu já trabalhava na área
bancária, não tive muitas dificuldades.
Foram 42 mil canditados inscritos somente em
Brasília, dos quais apenas 2 mil
foram aprovados, fiquei na colocação de
207º. No âmbito nacional houve apenas 3% de
aprovação.
Desde que
surgiu os computadores sempre me atualizei com as novidades da área de informática, algo que tenho
por hobbie até hoje. Uns seis anos depois que eu já
estava trabalhando na Caixa fiz concurso
para a Polícia Civil, me
inscrevi para dois cargos: agente e
papiloscopista. O prova de
informática tinha dez questões, na prova para
o primeiro cargo acertei todas e no outro errei somente uma
questão. Tempos depois fiz a prova do
BACEN (Banco Central) para a área de informática e não passei por
duas questões.
Formei-me
em Administração em 1994 e em 1999 fiz um curso complementar de
formação de docentes com habilitação em matemática. No mesmo ano
de 1999 fiz o concurso da Fundação Educacional e fiquei em 2º
lugar na minha região, mas também não quis assumir, pois
teria que deixar o emprego na
CAIXA . Gosto de
fazer concursos para não perder a prática de fazer
provas.
Fiz e
faço muitos concursos internos na Caixa a nível nacional, em uns
passo e em outros não, faz parte da vida, nem sempre se
ganha, devo ter passado em 30% de todos que eu fiz. Já trabalhei em várias agências e hoje estou
lotado na Caixa-Matriz (Sede em Brasília). Me sinto satisfeito com
meu trabalho, mas não realizado porque ainda falta um degrau para
chegar no topo da carreira técnica na qual atuo. Quando eu
alcançar essa meta meu objetivo é estudar, me preparar para
conseguir uma vaga em outro órgão público. Quem entra nessa de
estudar para concursos públicos dificilmente para. A cada
aprovação você se sente mais confiante e acredita que consegue ir
mais longe.
Um dos
últimos concursos que eu fiz foi para a PRF (Polícia Rodoviária
Federal). Acompanhei a minha filha mais velha,
Stephane Paula, para incentivá-la e tentar
ajudar em alguns conteúdos. Só não classifiquei
devido algumas mudanças que fiz no final do tempo da prova, mas penso
que se passasse também não assumiria, pois não era minha
praia.
As dicas
que eu posso dar para as pessoas que estão tentando uma vaga no
setor público são:
- O estudo
é uma construção cumulativa, às vezes você passou num concurso que
você pensou não estar preparado, mas a sua base foi
sendo construída desde o grau fundamental. Então, aproveite
todos os momentos de estudos, estude sempre e
não desanime que uma hora você vai passar.
- Quando disserem que uma prova foi ou
será fácil, desconfie, geralmente
nessas provas em que acontecem as maiores decepções, tenha sempre
em mente que você poderá passar em muitas
provas, mas poderá reprovar muito também, pois cada
prova tem um estilo diferente. A aprovação vai depender da sua
sintonia com o tipo da prova e do seu momento físico e
mental.
- Sempre
procuro em todas as provas gastar 90 a 95% do tempo estipulado pela
banca examinadora respondendo as questões, os 5 a
10% restantes do tempo eu passo as respostas para o cartão de
respostas, aproveitando para fazer um balanceamento das
questões que deixei sem fazer por dúvidas entre duas
opções. Geralmente quando
saio da escola,
após a prova, o local está praticamente
vazio.
- Procuro escolher quais as prioridades
nas provas, geralmente faço 1º Português, 2º
Matemática, 3º Conhecimentos Gerais ou Atualidades e 5º (por
último) Conhecimentos Específicos, a não ser
quando o peso de alguma parte é
superior.
- Sempre
tive mais dificuldades com português, então essa é a primeira
prova que eu faço, por estar com a mente mais
“descansada”.
-
Depois de cada etapa peço para ir
ao banheiro mesmo sem vontade, só para me levantar um pouco, aproveito
para beber água, molhar o rosto. Uso
esse momento para
“ esvaziar a mente” do
conteúdo que acabei de fazer.
- Como tenho
um senso critico apurado, fico muito atento aos
“pegas” das provas, procuro abstrair qual a intenção
da banca.
- Não crio fantasmas nas provas, não
vejo o que não existe nas questões. Lembre-se inferências
não devem fazer parte do entendimento das questões, o "eu acho" é
complicado, geralmente o examinador tenta fazer você ver o que não
existe ou desviar sua atenção para o foco da questão colocando
partes de texto que são desnecessárias, ou induzindo você
a raciocinar de uma forma, mas perguntando outra coisa, o
uso de vírgulas, senões, porquês, entretantos e outros conectivos
mudam sempre a estrutura da questão, cuidado com o exceto ou com a
outra metade da laranja, se o examinador levar você a olhar
para uma banda da laranja com quase toda certeza ele vai perguntar
sobre a outra parte. Por exemplo, um texto de história pode
servir de base para uma questão de geografia ou
atualidades.
- Num concurso geralmente menos de 5% dos inscritos passam, a
probabilidade de você estar sentado ao lado de um classificado em
potencial é miníma, então nunca cole, confie em
você.
- Aprendi que quando ficamos muito preocupados com o concurso
a nossa mente fica bloqueada. Notei isso quando jogava xadrez com
meu irmão mais velho. Eu quase sempre o vencia,
mas um dia perdi quatro vezes seguidas. Meu irmão me disse que eu
estava muito preocupado, nervoso e sem alegria,
por isso não conseguia
me concentrar
no outro lado do jogo e só
perdia. Há o outro lado
do jogo numa prova é a banca examinadora, e
ao bloquear sua mente você vê,
mas não enxerga. Os detalhes passam desapercebidos.
- Nunca
faça um concurso
com grandes expectativas ou responsabilidade de
passar, pois se você agir assim, qualquer branco que você
tenha em alguma questão, faz com que você erre quase
todas as questões posteriores, quando você deveria apenas deixar a
questão para fazer no final. Faça
prova sempre sem ansiedades e sem
cobranças pessoais, procure dar o seu melhor, o demais deixa para
Deus.
- Não mude suas respostas no final da
prova, a não ser que tenha plena certeza, pois geralmente
sua primeira percepção é a correta, você pode
trocar o certo pelo errado.
- A
média de nota de corte é aproximadamente 70% de acerto das
questões, tem sido assim desde que comecei a
fazer prova. Se a prova vale 100 e você tirou 70, essa é uma boa
nota, porém para
ser classificado entre os que tem mais chances de assumir o
cargo, a faixa de notas, fica entorno de 80% e 85% de acertos, dependendo da banca e do
números de candidatos por vaga, assim se você é daqueles que tem medo de
chutar algumas questões em que tem dúvidas, pense no percentual de
acertos daqueles que são aprovados, você não pode se dar ao luxo
de deixar muitas questões em branco sob pena de se excluir do
grupo dos que realmente estão concorrendo, lembre-se se a nota
máxima da prova é de 100 pontos, de nada vale você responder
apenas 60% da prova, pois os que serão aprovados farão cerca
de 80% dos pontos.
- Tranquilidade sempre.
Wilson
Souza, 42 anos, casado, pai de cinco filhos, graduado em
Admininistração e Matemática, pós-graduado em Finanças e
Controladoria, analista sênior da CEF-Matriz (Caixa Econômica
Federal), concursado desde 1989.
Para adicionar comentários nesta página basta ser um usuário cadastrado! Faça seu Login ou Cadastre-se aqui. É grátis! |