|
Atenção: As questões de números 1 a 16 referem-se ao texto que segue.
A idéia de que o povo é bom e que deve, por conseguinte, ser o titular da soberania política, provém, sem dúvida, de Rousseau. Mas o pensamento do grande filósofo sobre esse ponto era muito mais complexo e profundo do que podem supor alguns de seus ingênuos seguidores.
Do fato de que o homem é sempre bom, e que a sociedade o corrompe, não se seguia logicamente, no pensamento de Rousseau, a conclusão de que as deliberações do povo fossem sempre boas. “Cada um procura o seu bem, mas nem sempre o enxerga. O povo nunca é corrompido, mas é freqüentemente enganado, e é então que ele parece querer o mal” – advertia o filósofo.
É aí que se insere a sua famosa distinção entre vontade geral e vontade de todos. Aquela “só diz respeito ao interesse comum; a outra, ao interesse privado, sendo apenas a soma de vontades particulares”. Para Rousseau, nada garantiria que a vontade geral predominasse sempre sobre as vontades particulares. Ao contrário, ele tinha mesmo da vida em sociedade uma visão essencialmente pessimista. Sustentava que os povos são virtuosos apenas na sua infância e juventude. Depois, corrompem-se irremediavelmente.
Não há, pois, maior contra-senso interpretativo do que afirmar que o princípio da soberania absoluta do povo tem origem em Rousseau. Na verdade, ele, que sempre foi um moralista, preocupado antes de tudo com a reforma dos costumes, descria completamente de qualquer remédio jurídico para os males da humanidade.
(Fábio Konder Comparato)
1 - Considerando-se o contexto, o sentido de uma expressão do texto está corretamente traduzido em:
a) diz respeito ao interesse comum = relaciona-se com a vontade geral.
b) ingênuos seguidores = adeptos mais radicais.
c) é ai que se ensere a sua famosa distinção = é ai que se contesta sua célebre equação.
d) visão essecialmente pessimista = perspectiva extremamente ambígua.
e) corrompem-se irremediavelmente = praticam a corrupção sem remorso.
2 - De acordo com o texto, Rousseau acreditava que
a) os princípios da soberania popular aperfeiçoam-se
cada vez mais com o desenvolvimento histórico dos
povos.
b) as decisões populares baseiam-se sempre em bons
princípios, visto que os homens são bons por natureza.
c) as deliberações do povo não são necessariamente
boas, pois o povo pode vir a ser enganado.
d) a vontade popular é soberana, pois, mesmo quando
parece querer o mal, o povo delibera acertadamente.
e) o povo não pode ser o titular da soberania política
porque é facilmente levado a corromper-se.
3 - Rousseau considera que há uma vontade geral e uma
vontade de todos,
a) dando assim expressão a um grande contra-senso
interpretativo, que enfraquece sua tese.
b) sendo esta a razão para que afirme e defenda o
princípio da soberania absoluta do povo.
c) razão pela qual seus seguidores mais ingénuos
acham seu pensamento demasiadamente complexo.
d) distinguindo assim entre os interesses comuns e a
soma de interesses particulares.
e) fazendo-nos crer que uma equivale à outra, ainda
quando aparentemente se oponham.
4 - Transpondo-se para a voz passiva a frase As pessoas
nem sempre enxergam o seu bem, a forma verbal
decorrente será
a) tem sido enxergado.
b) foi enxergado.
c) é enxergado.
d) será enxergado.
e) são enxergadas.
5 - A vontade de todos diz respeito ao interesse privado,
sendo apenas a soma de interesses particulares.
Considerado o contexto, o elemento sublinhado na frase
acima tem o mesmo sentido de
a) embora seja.
b) a fim de ser.
c) mesmo que fosse.
d) a menos que seja.
e) uma vez que é.
9 - Considerando-se o contexto do terceiro parágrafo, na
frase Aquela "só diz respeito ao interesse comum; a outra,
ao interesse privado"
a) aquela e a outra referem-se ao mesmo tipo de
vontade.
b) aquela refere-se à vontade de todos.
c) aquela e a outra referem-se às vontades
d) a outra refere-se à vontade de todos.
e) a outra refere-se à vontade geral.
11 - Está correta a grafia de todas as palavras na frase:
a) É fácil encontrar quem divirja de Rousseau; difícil é
surpreender, nos discursos do filósofo, a falta de
perseverança ética.
b) A malediscência dos poderosos se encarrega de
divulgar obcessivamente a idéia de que o povo é
ignorante.
c) O autor do texto, afim de demonstrar que não há
hipocrizia em Rousseau, sugere que este não
endeuzava o povo, mas o compreendia.
d) Não há paralizia no pensamento de Rousseau: suas
inquietações impulsionam-o de forma sistematica.
e) É gratuita a impressão de que Rousseu pensa de
forma simples, ou mesmo ingénua; quem disso cojita
incorre em grave erro.
12 - Estão corretos o emprego e a forma do verbo sublinhado
a) São grandes os esforços que o complexo pensamento de Rousseau sempre requereu de seus
intérpretes.
b) Advêem de Rousseau as principais formulações
sobre a soberania política do povo.
c) A teoria de Rousseau ainda hoje contribue para a
análise das relações entre o homem e a natureza.
d) Os ingânuos seguidores de Rousseau não se
deteram na complexidade de seu pensamento.
e) Em seu tempo, Rousseau interviu radicalmente na
formação do pensamento democrático.
13 - Para completar corretamente a lacuna da frase, o verbo
indicado entre parênteses deverá adotar uma forma do
plural em:
a) Não se (dever) atribuir às idéias de Rousseau
qualquer grau de ingenuidade.
b) Quando se (administrar) aos males da
humanidade apenas um remédio jurídico, os efeitos
são insignificantes.
c) Nunca (faltar) às teorias de Rousseau a
preocupação com o destino dos povos.
d) O moralismo e o desejo de justiça social de
Rousseau sempre o (estimular) a pensar
criticamente.
e) Foram muitos os pensadores a quem Rousseau
(influenciar) com suas preocupações morais.
14 - É preciso corrigir a forma sublinhada na frase:
a) Os homens se corrompem porque seus interesses
pessoais sobrepujam todos os outros.
b) Por que sempre há os que deturpam o pensamento
alheio?
c) Sim, a vontade geral quase nunca sobrepuja as
vontades particulares, mas por que?
d) O porquê do egoísmo humano sempre foi um grande
mistério.
e) A justiça social, por que todos lutam, está longe de
ser alcançada.
15 - Está inteiramente adequada a pontuação do seguinte
a) Se de fato, a vontade geral predominasse, sobre as
vontades particulares, as decisões políticas,
refletiriam mais do que interesses, pessoais ou
corporativos.
b) A distinção entre as duas vontades feita por
Rousseau, pode parecer estranha à primeira vista,
mas logo, revela-se cheia de sabedoria.
c) Ao se referir à infância dos povos, o pensador
francês alude ao homem no estado da pura
natureza, longe dos artifícios da civilização.
d) Os bons leitores, de um grande filósofo, devem
evitar que, um pensamento complexo, se torne
simplório, para assim não falsificar sua tese central.
e) O pessimismo de Rousseau ao qual o autor do texto
alude, prende-se ao fato de que, o filósofo
genebrino, lamentava os rumos da civilização.
16 - Considerando-se o contexto, a frase Sustentava que os
povos são virtuosos apenas na sua infância e juventude
ganha nova redação, igualmente correta e com sentido
equivalente, em:
a) Apoiava-se em como apenas os povos fossem
virtuosos na infância ou na juventude, não mais que
isto.
b) Defendia a tese de que as virtudes dos povos se
manifestam tão-somente em sua infância e
juventude.
c) A sustentação de que a virtude dos povos apenas se
manifestam onde ainda há infância e a juventude,
era mantido por Rousseau.
d) Sua convicção resultava das virtudes dos povos,
cuja infância e adolescência nela se manifestavam.
e) Apoiava-se na convicção que a infância e a
juventude é que torna os povos virtuosos.
Gabarito desta Prova
Para adicionar comentários nesta página basta ser um usuário cadastrado! Faça seu Login ou Cadastre-se aqui. É grátis! |