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Atenção: As questões de números 1 a 9 baseiam-se no texto apresentado abaixo.
(...) Mas mesmo o Renascimento, com sua afirmação autoral, é marcado pelo desejo de entender a ordem divina.
Trata-se, portanto, antes e depois de tudo, de um respeito que sinto por essa tradição. E de uma aceitação tranqüila da crença dos que necessitam da idéia de Deus – como disse no New York Review of Books o extraordinário físico e ensaísta Freeman Dyson: "Para mim, adorar a Deus significa reconhecer que a mente e a inteligência são costuradas no tecido do nosso universo de uma forma que ultrapassa nossa compreensão."Dyson é um dos maiores defensores mundiais da ciência, mas sabe que a maioria das pessoas a teme, pois a vê, sobretudo desde a bomba atômica,omo inimiga do humanismo – humanismo que é um conceitoque deriva diretamente dos evangelhos cristãos.
Mas a religião pode ser um campo de discórdia, de fomento ao anti-humanismo, tão nocivo quanto ou mais nocivo ainda. Vide Oriente Médio. E a ciência, bem entendida, pode não só colaborar com o desenvolvimento humano dos países, mas também ser um ensinamento da dúvida e da tolerância, os
dois valores fundamentais do humanismo. Numa recém-lançada coletânea de artigos publicados no mesmo New York Review of Books, o genial físico Steven Weinberg chama a ciência de "arte liberal" e diz mais ou menos o que o biólogo Richard Dawkins diz: que o universo tem um "design", mas não um
"designer". Ser religioso é acreditar na existência de um ente superior, de vontade própria. Ser a favor da ciência não significa reconhecer que existem coisas acima do sujeito, mas exatamente o contrário – e pode chamá-las de Natureza.
Os valores morais que as
religiões cultivaram ao longo dos séculos – como a solidariedade e a
simplicidade –, assim como a admiração por seus produtos estéticos, não
são incompatíveis com o desconfiar de seus dogmas. Mas desconfiar de
dogmas, inclusive os que vêm da ciência, é uma lição que a ciência
também dá
(Adaptado de Daniel Piza. O Estado de S. Paulo. 7 abril 2002)
1 - Considere as afirmativas que seguem, relativas ao texto.
I. Tanto religiosos quanto cientistas podem igualar-se na dúvida,que sempre é uma lição de como viver em harmonia.
II. Cientistas não costumam aceitar a idéia de religião, pois ela diverge de seus pressupostyos básicos.
III. Ciência e religião imbricam-se em seus valores e conseqüências, que podem ser tanto bons quanto maus.
De acordo com o texto, é correto o que se afirma SOMENTE em:
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.
2 - ... pois a vê, sobretudo desde a bomba atómica, como
inimiga do humanismo. (2º parágrafo)
O comentário grifado na frase acima justifica-se pelo fato
de que
a) o desenvolvimento científico teve início com a
descoberta do átomo e a explosão da bomba, no
século passado.
b) a explosão da bomba atômica separou Ocidente e
Oriente de forma radical, assim como se separam
ciência e religião.
c) pode haver erros em projetos de base científica,
como o da bomba atômica, com seu imenso poder
de destruição.
d) a ciência chegou ao seu limite máximo com a
construção da bomba atômica e seus efeitos
danosos.
e) um avanço científico pode vir a tornar-se instrumento
de destruição da humanidade, em vez de trazer-lhe
benefícios.
3. Vide Oriente Médio. (3º parágrafo)
A frase acima, considerando-se o contexto,
a) é o argumento utilizado pelo autor para comprovar a tese proposta.
b) marca o início da conclusão a que o autor quer chegar, em defesa da religião.
c) constitui um exemplo de como a religião pode impedir o desenvolvimento científico.
d) aponta para uma opinião isolada dentro do contexto,interrompendo o fluxo das idéias.
e) localiza um fato que se opõe, pela concisão, ao desenvolvimento da tese proposta.
4 - E a ciência, bem entendida, pode não só colaborar com o
desenvolvimento humano dos países, mas também ser
um ensinamento da dúvida e da tolerância.
Os segmentos grifados mantém o mesmo sentido em
a) não pode colaborar - nem ser ensinamento.
b) pode não colaborar - mas ser ensinamento.
c) só não pode colaborar - e ser ensinamento.
d) tanto pode colaborar - quanto ser ensinamento.
e) enquanto colaborar - pode ser ensinamento.
5 - como a solidariedade e a simplicidade - (último parágrafo)
Foram usados travessões para
a) interromper intencionalmente o pensamento.
b) incluir um segmento explicativo.
c) concluir, com uma hesitação, uma idéia secundária.
d) preencher uma lacuna dentro do período.
e) enunciar um fato com entoação exclamativa.
6 - Está correto o segmento grifado na frase:
a) Alguns cientistas pensam de que é possível conciliar
informações trazidas pela ciência e a crença em
Deus.
b) A maioria das pessoas acredita com que se deve
temer o uso das descobertas científicas contra a
humanidade.
c) Supõe-se em que o universo seja o resultado da
vontade soberana de um ente superior, acima da
humanidade.
d) Os pesquisadores, cujo o conhecimento científico
deve ser notável, costumam ignorar a idéia de uma
força sobrenatural no universo.
e) A religião, de cuja importância os cientistas
costumam duvidar, pode ser usada por extremistas
para desencadear o mal.
7 - A concordância está de acordo com a norma padrão, na
frase:
a) Tratam-se de opiniões diversas sobre um e outro
campo, que marcaram o desenvolvimento da
humanidade.
b) São aspectos - seja da ciência, seja da religião - que ultrapassa nossa possibilidade de compreensão
do universo.
c) Há conceitos, derivados diretamente do Evangelho,
que podem ser interpretados de maneira que os
torne extremamente nocivos.
d) Sabe-se que as pessoas temem as descobertas
científicas, pois as vê como prejudiciais, muitas
vezes, à humanidade.
e) Mesmo os postulados da ciência podem trazer,
embutido neles, ensinamentos muito próximos da
dúvida e da tolerância.
8 - Está correta a flexão do verbo grifado na frase:
a) Alguns cientistas até crêem que existe no universo
uma ordem que ultrapassa a compreensão dos
homens.
b) Muitas vezes, no decorrer da história, o progresso
científico deteu-se em nome dos dogmas religiosos.
c) Em todos os tempos adviram situações de conflito,
devido tanto a posturas religiosas quanto a
descobertas científicas.
d) Até hoje, representantes das altas esferas religiosas
vêm o desenvolvimento científico como um inimigo
da fé popular.
e) Descobertas científicas, em todo tempo, anteporam-
se à aceitação de dogmas, questionando-os.
9 - Muitas pessoas costumam permanecer ..... espera de
soluções apontadas quer pela religião, quer pela ciência,
mesmo que caiba ..... elas duvidar de postulados ..... que
todos são submetidos.
As lacunas da frase acima estão corretamente preenchidas por
a) à - à - a
b) à - a - a
c) à - à - à
d) a - a - à
e) a - a - a
Atenção: As questões de número 10 a 18 baseiam-se no texto apresentado abaixo.
A miséria tem um componente inercial. O problema
não foi criado por este ou aquele governo, mas ao longo da
história do País, e se avoluma ano a ano. Entre as famílias mais
pobres, registra-se hoje uma taxa de natalidade de cinco filhos,
maior que a média entre as faixas mais altas da pirâmide social.
Perpetua-se assim a pobreza, que cresce num ritmo maior que
a capacidade de geração de riqueza e empregos da economia.
O primeiro contingente de miseráveis surgidos no país
foram os escravos. Mesmo depois da Abolição, eles
continuaram vivendo numa situação de pobreza extrema. Essa
herança reflete-se até hoje em estatísticas como as taxas de
analfabetismo e de mortalidade infantil, proporcionalmente
maiores na população negra. Nos anos 30, o País começou a
dar seus primeiros passos para se tornar mais urbano e
industrial. O então presidente Getúlio Vargas promoveu
mudanças significativas nas relações trabalhistas, o que
certamente beneficiou muita gente, mas foi um desenvolvimento
seletivo. Quem tinha emprego e estava nas cidades passou a
ter a profissão regulamentada e a ganhar 13°- salário, entre
outros benefícios. Melhorou de vida. Os que na época estavam
fora do mercado de trabalho continuaram na pobreza.
A partir dos anos 50, durante o governo de Juscelino Kubitschek, o Brasil entrou num processo de industrialização
convulsiva, simbolizado pelo slogan "Cinqüenta anos em cinco".
Financiadas pelo Estado, surgiram a malha rodoviária, a
indústria automobilística, diversas universidades e as grandes
usinas de energia. De 48-0 PIB mundial na década de 60, o País
saltou para a 8 posição, vinte anos depois. O progresso trouxe
alguns efeitos colaterais: aumentou as diferenças regionais
entre o Sudeste, onde se concentraram os investimentos da
indústria, e o Nordeste, que permaneceu atrelado a uma
economia rural atrasada sujeita a intempéries como a seca. As
faixas mais altas da pirâmide social foram as mais beneficiadas
por esse processo de desenvolvimento, que teve seu auge na
década de 70. Sua renda cresceu num ritmo mais acentuado
que o das camadas pobres. Foi sempre assim. Com uma
singela exceção: o período inicial do Plano Real, quando
milhões de pobres se beneficiaram do fim do imposto
inflacionário e passaram a ter renda mínima para a
sobrevivência.
(Veja, janeiro/2002, p. 92-93)
10. Foi sempre assim.
Considerando-se o contexto, é correto afirmar que a frase acima
a) analisa os fatos a que o autor se refere no parágrafo anterior.
b) introduz uma ressalva ao conjunto de situações abordadas.
c) indica a causa que desencadeou os fatos anteriores.
d) conclui a argumentação que vem sendo desenvolvida no texto.
e) estabelece a condição necessária para uma solução dos problemas apontados.
11 - É correto afirmar que, de acordo com o texto,
a) as taxas de natalidade, maiores que as de
mortalidade infantil, são índices que confirmam a
melhoria das condições de vida da população
brasileira.
b) a indústria brasileira, especialmente a
automobilística, trouxe bem-estar para toda a
população do norte ao sul do País.
c) convém que o Estado evite a ingerência dos órgãos
oficiais na economia do País, a qual deve basear-se
na propriedade e nas atividades particulares.
d) a faixa mais alta da pirâmide social mantém-se em
posição de destaque em razão da média mais
elevada de natalidade.
e) a população negra ainda permanece refém de
problemas não solucionados, que se originaram na
época da escravidão.
12 - O componente ínercíal da pobreza (1ª linha) a que se
refere o texto diz respeito
a) ao índice de natalidade, que é maior nas camadas
sociais mais baixas da população.
b) à ausência de controle da produção industrial,
principalmente na região sudeste.
c) ao desinteresse político dos governantes em
controlar as taxas de natalidade.
d) ao atraso da economia brasileira, que ainda se
fundamenta na atividade rural.
e) aos problemas derivados do clima, especialmente às
secas da região nordeste.
13. Sua renda cresceu num ritmo mais acentuado que o da camadas pobres.
O pronome grifado na frase acima substitui, no texto,
a) seu auge.
b) o ritmo.
c) o progresso.
d) o período inicial.
e) um processo de desenvolvimento.
14. Que tinha emprego...
O mesmo tempo e o mesmo modo da forma verbal grifada acima repetem-se na frase:
a) e se avoluma ano a ano.
b) mas foi um desenvolvimento seletivo.
c) os que estavam fora do mercado de trabalho...
d) o País saltou para a 8a posição.
e) onde se concentraram os investimentos da indústria.
15 - ... que teve seu auge na década de 70. (último parágrafo)
O emprego da forma verbal grifada na frase acima indica
a) uma ação terminada num tempo passado.
b) uma hipótese a concretizar-se no futuro.
c) a continuidade da ação até o momento presente.
d) a repetição, no presente, de uma ação passada.
e) uma ação realizada dentro de limites de tempo
imprecisos.
16 - A concordância deixa de seguir a norma padrão, na frase:
a) Registram-se, hoje, nas famílias mais pobres, taxas
de natalidade maiores que a média brasileira.
b) O número de pobres cresce mais do que as
possibilidades de geração de riqueza.
c) As condições de pobreza são perpetuadas, num
ciclo vicioso, pois não existem postos de trabalho
suficientes.
d) Muitos empregados foram beneficiados com as
mudanças nas relações trabalhistas, melhorando as
condições de vida.
e) Com isso, cresceu as diferenças regionais entre o
Sudeste e o Nordeste, região sujeita a um clima inóspito.
17 - O problema não foi criado por este ou aquele governo.
Transpondo-se a frase acima para a voz ativa, a forma verbal passa a ser
a) criara.
b) criou.
c) criaram-se.
d) tinha criado.
e) era criado.
18 - Quem tinha emprego passou a ter a profissão regulamentada.
Melhorou de vida.
Continuaram na pobreza os que estavam fora do mercado.
As três afirmativas encontram-se unidas num só período,
com correção e clareza, mantendo o sentido original do
texto, em:
a) Enquanto melhorou de vida, quem tinha emprego
passou a ter a profissão regulamentada e, em
compensação, continuou na pobreza os que
estavam fora do mercado de trabalho.
b) Os que tinham emprego, houve melhora de vida,
que passou a ter profissão regulamentada, e
continuou na pobreza os que estavam fora do
mercado de trabalho.
c) Porque melhorou de vida, quem tinha emprego e
passou a ter a profissão regulamentada,
continuaram a pobreza, visto que estavam fora do
mercado de trabalho.
d) Quem tinha emprego, passou a ter profissão
regulamentada e melhorou de vida, embora tenham
continuado na pobreza os que estavam fora do
mercado de trabalho.
e) Em que pese o emprego, melhorou de vida com a
profissão regulamentada, o que, em oposição,
continuaram na pobreza os que estavam fora do
mercado de trabalho.
19 - Encontram-se palavras escritas com desrespeito à norma
culta da língua na frase:
a) Há, no país, bolsões de pobreza, em que inexistem
recursos mínimos indispensáveis para a
sobrevivência da população.
b) A escassés de chuvas - um fato que caracterisa a
região Nordeste - desencadeia sérios problemas
socioeconõmicos de difícil solução.
c) O grande número de miseráveis - que vivem abaixo
da linha de pobreza - não tem acesso a, no mínimo,
uma refeição nutritiva básica diária.
d) Uma grande porcentagem indica o número de
brasileiros que, apesar da origem humilde,
conseguiram prestígio profissional e ascensão
e) O Brasil é um país rico, o que torna inexplicável a
pobreza extrema de 23 milhões de brasileiros,
problema até agora mal resolvido.
20 - Está correta a pontuação no período:
a) Como conseqüência do emprego inadequado de
recursos, o Brasil aparece todos os anos nas
listagens internacionais como um dos países com maior concentração de renda do planeta.
b) Como conseqüência do emprego inadequado de
recursos, o Brasil aparece todos os anos nas
listagens internacionais como um dos países, com
maior concentração, de renda do planeta.
c) Como conseqüência do emprego inadequado de
recursos o Brasil, aparece todos os anos nas
listagens internacionais, como um dos países com
maior concentração de renda do planeta.
d) Como conseqüência do emprego, inadequado de
recursos, o Brasil aparece todos os anos nas
listagens, internacionais como um dos países com
maior concentração de renda do planeta.
e) Como conseqüência do emprego inadequado de
recursos o Brasil aparece todos os anos, nas
listagens internacionais como, um dos países com
maior concentração de renda do planeta.
Gabarito desta Prova
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